Tendinite, tendinite, tendinite

Estou com uma tendinite!
 
Ai eu também tenho uma tendinite no meu joelho! E a minha mãe está com uma tendinite no ombro.
 
Tendinite, tendinite, tendinite, parece uma praga! Toda a gente tem, teve ou terá uma tendinite pelo menos uma vez na sua vida. É coisa que se agarra com facilidade aos corpos das pessoas que por aí andam, mas será que é um problema dos corpos ou pura invenção das suas cabeças? Será que a urgência em rotular os males se apressou a chamar de tendinite àquele processo doloroso na zona articular e se esqueceu de verificar a sua veracidade fisiopatológica?
 
Mas não há dúvidas, a DOR é um mal geral, e o processo de rotularem também o é. Não são só os pacientes que se apressam em chamar as suas dores de tendinites, como também muitos cuidadores de saúde engraçaram com o nome e não há limite nem travão que pare a dita moda da tendinite.
 
Mas a verdade é que o problema é mais complexo do que à partida se possa imaginar. O sistema músculo-esquelético, que mais corretamente se deverá designar por neuro-músculo-esquelético, depende do equilíbrio e correta interação entre estruturas musculares, tendinosas, ligamentares, ósseas, articulares e acima de tudo nervosas. Quando nos dói o ombro, e essa dor aparece associada à limitação de algum movimento, lembramo-nos logo que poderemos estar a sofrer de uma tendinite, que é uma inflamação do tendão. Histologicamente, a análise do tecido tendinoso, supostamente afetado por tendinite, não revelou a presença de células inflamatórias,  pelo que a designação de tendinopatia será o termo mais correto e deverá substituir-se ao usual tendinite, por uma questão de rigor e assertividade, que todo o problema de saúde merece, pois a resolução do problema começa por identificar corretamente a sua real causa.
 
Para tirar as dores e os desconfortos, os males e as padecências de cada um, é imperativo uma boa avaliação do cenário, que muitas vezes se assemelha a um cenário de guerra, é o músculo contracturado, o tendão degenerado, o nervo que enlouqueceu e não pára de levar informação dolorosa ao general – o Cérebro – e a fascia que se chateou e fechou-se em si, e a tudo isto, a pobre articulação assiste com angustia, pois os seus ligamentos e a sua cápsula criaram aderências e a cartilagem perdeu a sua linha congruente.
 
E vamos chamar-lhe a isto tendinite? Resumir a complexidade da disfunção neuro-músculo-esquéletica a uma mera inflamação tendinosa é uma irresponsabilidade, e não é isso que queremos. O que queremos é responder com habilidade, queremos um cessar fogo, queremos a paz desta zona articular afetada, pois esta articulação pertence a alguém, alguém que tem muito ou pouco que fazer, alguém que não precisa dessa dor para nada e que procura e merece uma resolução efetiva, inteligente, atempada e consciente do seu problema. A boa noticia é que isso é possível, na grande maioria dos casos, requer no entanto, uma abordagem adequada, que passa por determinar a implicação de cada um dos intervenientes na dor e na disfunção e em arranjar maneira de os corrigir um por um: tendão, músculo, nervo, fascia, articulação, ligamento, cápsula, não perdendo de vista a noção do todo, que é o indivíduo, e depois de assistir a cada um dos interveniente com as técnicas mais apropriadas teremos a paz e com isso a alegria de viver que é um direito que assiste a cada ser humano.
 
O nosso corpo é um instrumento, é a forma que temos de interagir com o mundo e com os outros, devemos cuidar bem dele e exigir um tratamento digno, responsável, que verdadeiramente resolva o problema e não o camufle com analgésicos.